Dilma, Lula, Marco Maia e o PT rebelde:
O ex-presidente lembrou a todos que a desunião da bancada foi um dos motivos da crise do mensalão???
http://noticias.r7.com- Atualizado em 20/06/2011às 11h36

Sempre que ouvia críticas aos parlamentares, as pessoas lhe dizendo que aquela era a pior Legislatura da nossa história, o sábio dr. Ulysses Guimarães coçava a cabeça e respondia com um leve sorriso:

"Espera só para ver os que virão na próxima Legislatura... Vocês ainda vão sentir saudades destes..."

Ouvi isso pela primeira vez uns 30 anos atrás. De lá para cá, para nossa infelicidade, a profecia do dr. Ulysses só fez se confirmar.

Parlamentares que viviam na obscuridade e no semi-anonimato de uma Câmara Federal com mais de 500 excelências, em que só meia dúzia conta de verdade, de repente assomam à ribalta e a imprensa começa a falar deles todo dia como se o povo todo tivesse a obrigação de conhecê-los.

É o caso do atual presidente da Câmara, o metalúrgico gaúcho Marco Aurélio Spall Maia, de 45 anos, que entrou para o PT em 1985. Dei um google, como costumam dizer os mais jovens, e levantei sua breve ficha.

Sem que se conheça dele qualquer atuação parlamentar de realce até o dia 17 de dezembro do ano passado, quando era vice do então presidente Michel Temer, do PMDB, que renunciou neste dia para assumir a vice-presidência da República, Maia surpreendeu todo mundo ao derrotar nas eleições internas do PT o deputado paulista Cândido Vacarezza, candidato favorito ao cargo, apoiado por Dilma e Lula.

Vacarezza estava tão certo da sua indicação pelo PT, com a ajuda da presidente eleita e do ex-presidente Lula, que se descuidou da retaguarda e foi buscar apoios nos outros partidos da base aliada e até mesmo na oposição. Maia gostou de se sentar naquela cadeira mais alta da presidência e resolveu brigar para ficar.

Parte do PT paulista, que já estava rebelado com as nomeações do novo governo, centralizadas nas mãos do então "primeiro-ministro" Antonio Palocci, fechou primeiro com Maia e, em seguida, com Rui Falcão, deputado estadual que foi eleito para a presidência do partido em lugar de José Eduardo Dutra, após a renúncia do ex-senador e ex-presidente da Petrobras por problemas de saúde.

Mais uma vez, Lula e Dilma, que apoiavam o senador pernambucano Humberto Costa para o cargo, foram derrotados _ e, a partir daí, o governo não teve mais um dia de sossego com o principal partido da base aliada. Começava ali a desarticulação política do governo num momento de recuperação da economia, antes mesmo das denúncias contra o "primeiro-ministro".

Nas três semanas da crise que acabou derrubando Antonio Palocci, o PT lavou as mãos e trabalhou pelo seu desembarque do governo. Desta vez, porém, o partido se uniu para apoiar Cândido Vacarezza a assumir o cargo de articulador político do governo, uma das funções deixadas vagas pelo ex-ministro, mas ele perdeu de novo.

O presidente da Câmara foi encarregado de comunicar a escolha de Vacarezza à presidente Dilma Rousseff, que lhe deu um chega pra lá, esclarecendo à sua maneira um tanto rude que quem nomeia ministros é ela, e fim de papo.

Foi a gota d´água para que o valente gaúcho se transformasse num novo líder oposicionista da base aliada, a bancada que mais cresce na Câmara.

Marco Maia já andava descontente porque Dilma vetou um projeto do deputado para renovar sem licitação todas as licenças comerciais dos aeroportos em função da Copa do Mundo. Era, certamente, um grande negócio que não deu certo.

Agora, ele ameaça colocar em votação matérias que desagradam ao governo, como a PEC 300, que esbelece um piso nacional para policiais militares e bombeiros, e a regulamentação da Emenda 29, estabelecendo gastos mínimos para a Saúde.

Se ambas forem aprovadas, quebram o caixa do governo, que já foi obrigado a fazer um corte de R$ 50 bilhões no orçamento deste ano.

Foi por este motivo que Lula deixou seus confortos no final de semana para ir sábado a um encontro do PT rebelado no interior de São Paulo e participar de reuniões políticas em sua casa no domingo, algo que ele abominava fazer mesmo quando era o presidente da República. O ex-presidente lembrou a todos que a desunião da bancada foi um dos motivos da crise do mensalão .

Durante os seus oito anos no Palácio do Planalto, o partido se contentou com os cargos que lhe couberam e não deu um pio, mas demorou a defender o governo na crise em 2005. Quem seria louco agora de desafiar Lula, um presidente que chegou ao final do segundo mandato no auge da popularidade?

Não é este o caso de Dilma Rousseff, uma cristã nova no PT e sem vivência político-partidária, uma presidente que ainda depende de Lula para manter a ordem no próprio galinheiro. Engana-se, porém, quem imaginar que isto possa abalar a confiança que um tem no outro.

Os dois aprenderam a tocar de ouvido e se entendem muito bem, principalmente nos momentos de crise. Só os bobos ou muito puxa-sacos podem achar que Lula sai ganhando se Dilma perder popularidade e prestígio. É o contrário.

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